“RODA DE CONVERSA SOBRE MEDICAMENTOS: Construindo significados para o uso racional com usuários de um serviço de saúde mental” (Discussão da aula do dia 26/10/2010)

O medicamento é uma tecnologia da saúde com implicações médicas, sociais, econômicas, antropológicas e epidemiológicas (SEVALHO, 2003). O consumo de medicamentos aumentou significativamente a partir de meados do século XX devido ao crescimento da indústria farmacêutica, ao desenvolvimento de novos fármacos, à ampliação do acesso, à modificação de hábitos culturais e clínico-terapêuticos, além do acelerado processo de mercantilização da saúde e medicalização da sociedade (MAGALHÃES; CARVALHO, 2003; SEVALHO, 2003). Esse cenário impõe a necessidade de reflexão sobre a qualidade do consumo de medicamentos e a promoção de seu uso racional, ou seja,“pacientes devem receber a medicação adequada às suas necessidades clínicas, nas doses correspondentes aos seus requisitos individuais, durante um período de tempo adequado e ao menor custo possível para eles e para a comunidade”(de acordo com a Organização Mundial da Saúde (2002, p.1).

A Lei Orgânica da Saúde 8.080/90 (BRASIL, 1990) inclui no campo de atuação do Sistema Único de Saúde (SUS) a execução de ações de assistência terapêutica integral, inclusive farmacêutica, buscando a promoção, proteção e recuperação da saúde. Com esse objetivo foi criada em 1998 a Política Nacional de Medicamentos (BRASIL, 1998), que apresenta como uma de suas diretrizes a promoção do uso racional de medicamentosenfatizando, entre outras questões, o desenvolvimento de processos educativos para os usuários sobre os riscos da automedicação, interrupção e substituição de medicamentos prescritos. Na saúde mental sãofrequentes a prescrição de muitos medicamentos (polifarmácia), a interaçãomedicamentosa, o sofrimento dos usuários com efeitos adversos, a não adesão ao tratamento e o uso abusivo dos medicamentos. Em virtude disto, observa-se a necessidade de orientação de usuários e familiares quanto à ação dos medicamentos, seus efeitos e forma de utilização.

Dentre os usuários do Centro de Referência em Saúde Mental (Cersam) Teresópolis, localizado no município de Betim, Minas Gerais, encontra-se com facilidade exemplos de uso inadequado dos medicamentos: uso de quantidades inadequadas (sub ou sobredosagens); administração diferente da posologia prescrita; automedicação; trocas de medicamentos entre familiares e vizinhos; uso de psicofármacos concomitante ao uso de álcool e outras drogas. Observando essa situação e diante dos freqüentes questionamentos dos usuários do Cersam Teresópolis em relação aos seus medicamentos e dos insucessos terapêuticos devido ao uso incorreto a psicóloga e a farmacêutica dessa instituição pensaram na construção junto aos usuários de um espaço de conversa e orientação sobre os medicamentos. Assim iniciou-se em janeiro de 2009 a Roda de Conversa sobre Medicamentos, emBetim.O Centro de Referência em Saúde Mental Jéferson Peres Pereira – Cersam Teresópolis localiza-se no município de Betim, Minas Gerais, no bairro Jardim Teresópolis, o qual possui aproximadamente cento e noventa mil habitantes e é caracterizada pela baixa renda e violência, principalmente relacionada ao tráfico de drogas. O Cersam Teresópolis é considerado um CAPS II e atende a adultos portadores de sofrimento mental moderado e grave.

O município possui três Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) para adultos, sendo um deles com funcionamento vinte e quatro horas diárias nos sete dias da semana, e um CAPS para o atendimento de crianças e adolescentes. Em Betim os CAPS são denominados como Centros de Referência em Saúde Mental (Cersam). Os CAPS são serviços substitutivos ao hospital psiquiátrico, são unidades de saúde regionalizadas, que contam com uma população adscrita definida, integrados a uma rede descentralizada e hierarquizada de cuidados em saúde mental. Constituem-se como porta de entrada da rede de serviços para as ações relativas à saúde mental, além de atenderem também a pacientes referenciados de outros serviços de saúde. O CAPS é considerado um dispositivo de referência e tratamento para portadores de transtornos mentais graves -psicoses, neuroses severas e demais quadros, em situação de crise – cuja intensidadee/ou persistência justifiquem sua permanência num lugar que visa o cuidado intensivo, comunitário, personalizado e promotor de vida. Como regra geral, este serviço deve atender àquela população que ocuparia os hospitais psiquiátricos; mas eles têm suas particularidades: devem ser um serviço aberto, humanizado, que dispensem cuidados constantes e respeitosos a sua clientela, enfocando a integração do doente mental na comunidade e sua inserção social.

Uma característica fundamental do CAPS é o trabalho em equipe, uma proposta antimanicomial na medida em que busca articular eagregar saberes. A clínica do CAPS acontece, predominantemente, no coletivo, no social. No Cersam, privilegiam-se os espaços de convivência, as oficinas, as assembléias, enfim, as atividades em grupo. Esse predomínio do coletivo está arraigado ao conceito de clínica ampliada, que constitui um ‘trabalho clínico que visa o sujeito e a doença, a família e o contexto, tendo como objetivo produzir saúde e aumentar a autonomia do sujeito, da família e da comunidade,utilizando como meios de trabalho: a integração da equipe multiprofissional, a adscrição de clientela e construção de vínculo, a elaboração de projeto terapêutico conforme a vulnerabilidade de cada caso e ampliação dos recursos de intervenção sobre o processo saúde-doença’(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004, p. 45).

A Roda de Conversa foi pensada a partir dos objetivos da clínica ampliada como uma possibilidade de maior integração da equipe e interação com os usuários, para efetivar ações resolutivas que contribuam para o tratamento dos sujeitos que buscam o CAPS. Desta forma, a Roda de Conversa sobre Medicamentos tem o objetivo de contribuir para a adesão dos usuários do Cersam Teresópolis ao tratamento, formando uma consciência crítica em relação aos riscos e benefícios advindos do uso de medicamentos, elevando a qualidade e efetividade da terapia medicamentosa econtribuindo decisivamente para a melhoria das condições de saúde e qualidade de vida. Assim, promove-se a racionalidade do uso dos medicamentos por meio de processos de educação em saúde, formando sujeitos mais autônomos, que se apropriam de seus tratamentos e se co-responsabilizam por estes.Perguntas norteadoras na Roda de Conversa são o gatilho da reflexão coletiva e da interpretação das experiências de cada um a respeito dos seus medicamentos. Quem aceita o convite entram na Roda. Além dos pacientes em PD, os demais técnicos do serviço podem convidar pacientes em tratamento ambulatorial que poderiam se beneficiar ao participarem das conversas, assim como os familiares que queiram saber mais sobre a contribuição dos psicofármacos para o tratamento ou simplesmente se aproximar de seu familiar também no contexto do Cersam/tratamento.

As conversas duram de 60 a 90 minutos,os recursos utilizadossão variados a fim de facilitar a comunicação e a interação entre os participantes naquele período e a condução das Rodas é realizadapor duas profissionais, o que possibilita que todos os encontros sejam cuidadosamente registrados em livro específico, construindo dessa forma um importante arquivo para o Cersam, assim como para todos os profissionais do serviço a respeito das principais questões dos usuários da saúde mental relacionadas aos medicamentos.

As Rodas de Conversa promovem sensibilização e motivação no que diz respeito, principalmente, aos medicamentos e à necessidade do seu uso racional, visando também conscientizar o paciente em relação ao tratamento, incitandoa reflexão da responsabilização de cada um com o uso dos medicamentos e, consequentemente, responsabilização com o seu tratamento. São abordados assuntos que dizem respeito a grande parte da clientela atendida pelo Cersam Teresópolis, a qual tem em comum a vulnerabilidade determinada pelo contexto social, econômico e clínico no qual se insere, pois para realizar algum trabalho com uma comunidade é preciso considerar a realidade em que ela vive.  A Roda de Conversa sobre Medicamentos busca escutar o outro, a particularidade da outra pessoa portadora de sofrimento mental que fala de si. Muitas vezes, uma experiência relatada na roda pode ser fundamental para outra experiência singular, gerando a possibilidade de reflexão e mudança.

As coordenadoras buscamuma postura democrática, fazer circular a palavra, assim como ajudar aos participantes a desconstruir pré-concepções estabelecidas ao longo dos anos. Busca-se escutar a experiência dos pacientes, como eles vivenciam a questão do uso dos medicamentos, o que eles sentem,o que pensam em relação ao seu uso contínuo e por tempo indeterminado, dentre outras questões que surgem. Na roda o canal da palavra deve estar continuamente aberto. Cada um pode falar a partir do seu ponto de vista, das suas dificuldades, dos seus êxitos, das suas razões, apontando que não há uma única verdade, uma única razão. Nesse sentido, a Roda é um espaço de diálogo e de troca, de socialização das experiências.É preciso criar um clima de respeito onde os participantes se sintam a vontade pra relatar suas vivências de modo que não tenham receio de serem ridicularizados ou desqualificados pelos outros membros do grupo. No contrato o tema do sigilo deve ser abordado e discutido pelos participantes, de forma respeitosa.

Nos primeiros encontros as manifestações dos usuários começam tímidas, demoram a acontecer, mas à medida que a participação torna-se freqüente ou é compreendido o objetivo da conversa, as palavras vêm à tona, as interrogações aparecem e as experiências são socializadas. Alguns, após longos anos em contato com o tratamento em saúde mental, aprendem a reconhecer os medicamentos e adquirem um vasto conhecimento sobre os psicofármacos disponíveis, conhecem sua denominação comum e os nomes de marca, suas concentrações e efeitos. Falam sobre o que já tomaram, o que lhes fez bem ou mal. Na Roda os participantes são incentivados a conhecerem suas prescrições médicas, instigamos sua curiosidade a respeito do próprio tratamento para que se aproprie dele e possa intervir, são orientedos a buscar essas informações na farmácia, com os médicos, com a equipe de enfermagem ou com seus técnicos de referência,enfatizando a necessidade do diálogo com todos os profissionais do serviço para o estabelecimento do diagnóstico e de um projeto terapêutico eficaz para cada um.As principais queixasrecorrentemente apresentadas estão relacionadas aos efeitos adversos, principalmente do uso dos antipsicóticos.Os efeitos dos medicamentos são explicados relacionando-os com os sintomas dos transtornos mentais, busca-se trazer esperança e encontrar paciência com a informação que os efeitos dos medicamentos sobre a atividade sexual dos usuários, assim como outras reações adversas, tendem a diminuir com o tempo de uso e esclarece-se sobre a individualidade com a qual cada organismo responde à interação com as substâncias, tornando cada tratamento singular.

Procura-se motivar os pacientes a refletirem sobre o que eles mesmos podem fazer para lidar melhor ou buscar uma alternativa diante dos efeitos indesejados das medicações.Soluções simples paraalguns efeitos colaterais são construídas com o coletivo: ingerir bastante líquido, frutas e verduras para amenizar o ressecamento das mucosas e a constipação; uso de filtro solar, bonés e hábitos diferentes para a fotossensibilidade; e exercícios físicos para o ganho de peso e o desânimo, dentre outros. Os usuários valorizam e mostram os benefícios que a ocupação traz, seja trabalhando, seja fazendo tarefas domésticas, lendo, escrevendo ou costurando. Essas questões trazem à tona o debate sobre o que faz parte do tratamento. As coordenadoras retiram o medicamento do foco para ampliar a visão, já que os medicamentos devem ser vistos como coadjuvantes no tratamento.

Especificamente entre os usuários da saúde mental, além da visão dos medicamentos como solução para tudo, também é possível perceber a idéia de que todos ou muitos dos problemas que surgem após o uso dos psicofármacos são tidos como efeitos adversos e creditados na conta desses medicamentos. A partir dessas constatações, trabalha-se na Roda a desmedicalização da vida. Retoma-se a naturalidade das respostas do corpo diante das adversidades do cotidiano. O que explica, por exemplo, muitos dos casos relatados de insônia mesmo com o uso de hipnóticos e sedativos, mas associados a perdas e angústias. As profissionais chamam a atenção dos usuários quanto à integralidade da saúde.  Muitas das ações que são propostas para a melhoria do tratamento na saúde mental trazem benefícios para a saúde em geral.

Também são alvos de comentários nas Rodas os medicamentos clínicos, sua importância e o cuidado que também requerem. Aproveita-se para alertar quanto à relevância do acompanhamento clínico dos pacientes nas unidades básicas de saúde, pois muitas vezes os pacientes dos serviços de saúde mental são vistos e se vêem apenas como mentes que têm problemas, esquecendo que possuem também um corpo que precisa de cuidados. Um assunto difícil para a compreensão dos usuários é o tempo do tratamento na saúde mental. Muitos esperam a cura, o momento quando não precisarão mais de medicamentos ou psicoterapias. Em relação a isso as coordenadoras fazem analogias com patologias conhecidas por todos, muito freqüentes na sociedade e mesmo entre os pacientes do Cersam, como diabetes e hipertensão. Assim como muitos dos transtornos mentais, essas doenças não têm cura, mas podem ser controladas e precisam ser monitoradas.

A questão religiosa é algo constantemente presente nas falas, às vezes relacionada aos delírios, e várias vezes relacionada às justificativas elaboradas pelospacientes e seus familiares para esse tipo de doença que eles não conseguem explicar. Talvez essa seja a situação mais complexa e difícil para a abordagem da psicóloga e da farmacêutica, pois os medicamentos utilizados na saúde mental são muitas vezes associados às drogas ilícitas devido à capacidade de provocar dependência, ou seja, nas palavras dos usuários, “viciar”. A abordagem da importância do uso racional dos medicamentos traz para a discussão da Roda a necessidade de se observar os efeitos terapêuticos das substâncias prescritas, a forma como os organismos interagem e reagem aos medicamentos, desenvolvendo, algumas vezes e de formas variadas, adaptações e tolerância. Busca-se salientar os fatores sociais e comportamentais envolvidos na dependência, além do determinante bioquímico.

Um dos fatos mais interessante que as conversas despertam é a percepção de cada usuário sobre o quanto eles mesmos conhecem sobre sua saúde e podem ajudar os outros com seu conhecimento e até sendo exemplos a serem seguidos. É surpreendente, inclusive para as coordenadoras, quando os pacientes demonstram conhecimento sobre si, suas crises, e que podem atuar de forma mais ativa sobre seu processo de saúde- doença. O grupo temajudado na reflexão sobre o quão necessária é a farmacoterapia para cada paciente. Esseespaço aberto à fala e à escuta pode possibilitar uma nova forma de percepção quanto ànecessidade do uso racional dos medicamentos. As discussões nas Rodas de Conversa sobre os medicamentos ajudam aos usuários a construir um novo olhar em relação ao tratamento, compreender que é preciso passar por fases nesse processo e que, gradualmente, é possível retornar às atividades cotidianas. Nota-se a satisfação em cada conquista alcançada, como por exemplo, redução dos dias da PD, voltar a jogar bola, retornar gradativamente às atividades laborais ou mesmo iniciar novas atividades nunca antes experimentadas, como em alguns casos, conversar mais com familiares e a inserção em atividades artísticas e culturais. Observa-se maior adesão ao tratamento medicamentoso, o que contribui muito para o projeto terapêutico individual.

A Roda de Conversa sobre Medicamentos colabora com a promoção da saúde, pois é um espaço para educação em saúde e formação de sujeitos mais autônomos; trabalha com a prevenção do uso incorreto de medicamentos e suas conseqüências; além de contribuir para a efetividade do tratamento de cada usuário. No Cersam Teresópolis a Roda é considerada como mais uma possibilidade de intervenção junto aos pacientes. Vários profissionais deste serviço encaminham seus pacientes, compreendendo os possíveis benefícios advindos das reflexões construídas na Roda. Esse espaço de discussão compreende ações pedagógicas, terapêuticas e clínicas de forma simultânea a cada Conversa sobre os Medicamentos. A Roda tem um potencial pedagógico na medida em que desencadeia um processo de aprendizagem a partir das reflexões sobre as experiências relativas ao uso racional de medicamentos. O envolvimento de duas trabalhadoras de um mesmo serviço de saúde mental, mas com profissões distintas propicia a multiplicidade do olhar, além de contribuições e orientações que se complementam. O trabalho multiprofissional promove a integração entre trabalhadores e a construção de um novo saber.

Uma questão importante trazida pela Roda é que, a partir dos relatos de suas experiências, os usuários tornam-se educadores em saúde, dividindo seu saber tanto com outros usuários quanto com as coordenadoras, que aprendem muito além da teoria farmacológica no exercício da alteridade. A experiência das Rodas de Conversa confirma a relevância da comunicação, da informação e do conhecimento para a autonomia dos atores, tendo a educação em saúde como principal estratégia de ação (COELHO, 2008). As ações de educação em saúde permitem aos usuários apropriar-se dos problemas e de suas soluções, preservando a identidade de cada membro que, através da interação com o outro, da diversidade de olhares, se abre para a negociação, cria um novo olhar e instaura novos valores. Mesmo na loucura, o direito de cada um a se expressar, a ser ouvido e levado em consideração, precisa ser respeitado. A participação efetiva dos usuários em seustratamentos permite encontrar soluções mais concretas, adequadas e viáveis (COELHO,2008).

Quando se trabalha em busca de promover, proteger e recuperar a saúde em seu conceito amplo, a participação do paciente torna-se essencial. O envolvimento do paciente permite que ele se aproprie de sua saúde e conduz à formação de uma consciência sanitária que se estende para as demais questões sociais que vivencia.

Christiane Lima e Marly Santos

 Exemplo  de roda de conversa sobre saúde que produziu bons resultados:

 http://redehumanizasus.net/node/10888

Matelândia, no oeste paranaense, conseguiu reduzir em 50% o consumo de medicamentos e conquistar a população promovendo rodas de conversa e valorizando a história de cada usuário. Prestes a completar apenas 50 anos de fundação, a jovem Matelândia conta com um sistema público de saúde de fazer inveja a boa parte dos municípios brasileiros – no qual se destaca uma rede de atenção básica que chama atenção por seu atendimento resolutivo e humanizado.

“A população aqui da região enfrenta muita dificuldade e percebemos que 40% dos casos que os usuários traziam à unidade não diziam respeito a nenhuma patologia específica, mas a uma necessidade de orientação, desabafo, suporte. Chegamos então à conclusão de que grande parte desses casos dizia respeito a questões de saúde mental”, conta MarenilceMezzomo, técnica de enfermagem que integra a equipe fixa da Vila Pasa.Para enfrentar a questão, a USF deu um passo além do trabalho costumeiro de uma unidade básica de saúde: ampliou sua equipe, acionando assistentes sociais e psicólogos oferecidos pela Secretaria Municipal de Saúde de Matelândia como apoiadores matriciais – modelo que oferece ainda profissionais como pediatras, ginecologistas e fisioterapeutas – e apostou em iniciativas complementares à rotina de prevenção e promoção de saúde.

O projeto “Rodas de Conversa em Saúde” foi uma das estratégias adotadas. Em atividade desde 2006, a iniciativa promove rodas de conversa nas quatro grandes zonas de saúde do município, que contam com a participação da população local e dos profissionais de saúde mental de cada uma das quatro equipes.

“A idéia das rodas de conversa foi montada a partir da necessidade de dar resposta à demanda de saúde mental das unidades”, explica a psicóloga Monica Mombelli, que coordena o projeto. “A idéia é que as rodas sejam espaços de escuta ao usuário, de acolhimento e estabelecimento de vínculo, assim como uma estratégia de desmistificação da função do psicólogo, já que muitas vezes o usuário precisa recorrer ao psicólogo mas acaba não fazendo isso por razões culturais”.

Os resultados do trabalho já podem ser sentidos: melhora da auto-estima e autonomia dos usuários envolvidos e difusão de práticas saudáveis são alguns dos produtos das rodas. Nas unidades básicas de saúde de Matelândia, os bons frutos têm se traduzido em índices como a redução do fluxo de usuários e do consumo de medicamentos.

 Esses exemplos de rodas de conversas que integram gestores, funcionarios e usuários que permite troca de experiêncas, e coloca o usuário na gestão  do processo da saúde, é muito importante porque só se produz saúde quando o individuo é implicado num processo em que ele esta inserido.

Essas estratégias de roda de conversa que dão certo, aparece num momento em que tanto se tem chamado atenção para o consumo exagerado de farmacos, marcados pela crença de que é possivel encontrar saúde em produtos vendidos em drogarias. Uma construção negativa do conceito de saúde que está conduzindo nossa sociedade a uma dependência farmaceutica.

 

 

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