PENSAR O HOMEM, PENSAR POLÍTICAS, PENSAR A VIDA…

No contemporâneo dizer da saúde tornou-se sinônimo de dizer da vida. Então, em nome dessa saúde, que é um dos pilares da nossa sociedade, inventamos formas de lidar com as políticas que muitas vezes negam a vida. Porém é preciso demarcar que essas instâncias não são sinônimas. Claro que a saúde é um fator presente na vida; porém quando são tomadas por semelhantes podem acarretar práticas dissociadas da vida dos sujeitos. A guisa de exemplo, abordar um sujeito que está com verme reduzindo o tratamento ao sentido medicamentoso pode abreviar a sua realidade, muitas vezes sem saneamento básico. Bem como o discurso impositivo da saudabilidade; assim TEMOS que malhar, ver filmes, comer e beber coisas em detrimento de outras, sempre em nome da saúde, logo da vida. Assim essas práticas tecem uma vida que não se conecta com aquilo que diz de mim.

“Uma nova política que pense a relação do homem com a vida” (MOSÉ, p. 21)

É com essa citação de Viviane Mosé que gostaríamos de pensar as políticas de assistência farmacêutica e colocar em questão: que vidas são essas que queremos fortalecer? Vidas Dignas e que valem a pena ser vividas ou vidas meramente biológicas e que se criam na manutenção do mínimo? A vida que queremos fortalecer é uma vida que se forja na autonomia.  Nesse sentido se torna fundamental discorrer análises sobre as políticas que perpassam esse contexto.

A autonomia aqui é usada no sentido de relação com o outro e não num egocentrismo.  Assim o que se propõe com esse termo é se apropriar um dispositivo onde todos tem um certo conhecimento e propriedade expositiva acerca do que se passa, assim todos são ativos e engendram um processo terapêutico de outra ordem.

As realidades de trabalho empenhadas na saúde, em sua maioria, são piramidais, verticalizadas e hierarquizadas. Isso diz da forma de lidar com os pacientes, haja vista que estes seriam os últimos nessa escada. Portanto, dizer de práticas transversais, que rompem com a verticalidade, é produzir um paciente atuante no seu processo terapêutico é “trabalhar com a perspectiva de que a transversalidade da relação profissional-usuário é potente à transformação social necessária” (IGLESIAS, 2009, p. 57). Convidá-lo a participar é antes de tudo uma forma digna de tratamento pois, como diria Foucault em Deleuze, nada mais indigno que dizer em nome do outro  (MACHADO, 2009). Falar de si é uma alternativa que deve compor essa relação entre usuário, prescritores e dispensadores de medicamentos não só por que é o usuário quem sabe o que se passa consigo, mas também por que ele traz visões sobre o trabalho dos prescritores e dispensadores que podem, e são, úteis na construção contínua dessas políticas. Romper com a representação e convidá-los a falar de si seria um grande passo para modificar essas indignidades presenteficadas nessas grandes políticas que gerem a vida.

Colocar em debate essas relações é pensar também, na forma de transmissão das informações que circulam entre os usuários, os prescritores e os dispensadores. Quando tomamos o paciente como mero depositário de informações estamos deixando de lado a potencialidade criativa de novos dispositivos de lidar com a realidade. Por isso é preciso que a singularidade do indivíduo e do cotidiano estejam sempre costurando as práticas, indo sempre além de utilizações técnicas e teóricas. Pois pensando novamente no idéia de autonomia, torna-se muito importante “o fortalecimento da saúde por meio da construção da capacidade de escolha” (CZERESNIA, 2003, p. 48).

E para encerrar nosso post, ficamos com uma música do poeta Gonzaguinha que em seus versos canta a vida do povo. Nessa música em especial ele nos aponta que a saúde está intimamente ligada à vida, e que para fazermos seu uso precisamos nos conhecer para nos respeitar.

http://www.youtube.com/watch?v=54GDQDH4fHM

 

CZERESNIA, D. Promoção da Saúde: conceito, reflexões, tendências. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2003.

MOSÉ, V. Nietzsche e a grande política da linguagem. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 2005.

IGLESIAS, A. Em nome da Promoção à Saúde: análise das ações de macrorregião do município de Vitória – ES. 2009. Dissertação (Mestrado em Saúde Coletiva) – Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória – ES, 2009.

MACHADO, R. Deleuze, arte e filosofia. Rio de Janeiro. Ed zahar, 2009.

 

Alana Caliman, Alana Pereira e Antônio Martins.

 

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Uma resposta para “PENSAR O HOMEM, PENSAR POLÍTICAS, PENSAR A VIDA…

  1. Luciana Caliman

    Pessoas… poderiam ter falado sobre as políticas que vcs queriam discutir… políticas públicas da assistência farmacêutica… o que é isso? Política pública, de governo ou de Estado? O que isto tem haver com a discussão de medicamentação e medicalização que estamos fazendo??

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