A medicalização como estratégia biopolítica: um estudo sobre o consumo de psicofármacos no contexto de um pequeno município do Rio Grande do Sul. (Discussão da aula em 13/09)

A medicalização como estratégia biopolítica: um estudo sobre o consumo de psicofármacos no contexto de um pequeno município do Rio Grande do Sul. Procuramos pensar o que se quer dizer com medicalização, como se dão seus efeitos e o que a legitima e a mantém.

Medicalizaçao entendida como aplicação de quaisquer procedimentos médico a um paciente passivo e desdobramentos em produção de controle do social, assujeitamento e poder.

Esse poder médico sobre os corpos e sobre sua docilidade se faz presente na vida das pessoas com conceitos de normalidade, desvio, anomalia, anormalidade e tratamento para esse algo desviante.

Esse contexto traz vetores sociais, morais e de diversas outras dimensões que se agenciam e produzem sentidos de experiência de vida, produzindo subjetividade.

Posteriormente discutimos a necessidade de se trazer uma retrospectiva histórica acerca das estratégias de biopoder em sua origem teórica, na França foulcaltiana. E que os estudos focados em contextos distintos, como por exemplo na pesquisa  realizada no município de Boa Vista das Missoes no RS, onde se associou política pública de saúde com biopoder. De maneira a configurar assistencialismo, paternalismo, dependência, individualismo, imediatismo,  intolerância ao sofrimento. Todos esses aspectos legitimando e mantendo as praticas medicamentosas.

A saúde passa a ser encarada como uma mercadoria que pode ser consumida na forma de remédios, e há um sentimento de gratidão muito forte relacionado à medicamentação.

O que anda contra o princípio e o entendimento de produção de saúde como produção de vida. Vida que considera os sentidos das subjetividades, considera os aspectos da experiência e do bem-estar, a religião, a ética, a arte, e as maneiras de se existir no mundo.

A medicamentação na pesquisa é vivenciada como neutralizador, bloqueador de sintomas e insatisfações/dores, o que cala as denúncias dos processos agressores à vida e mantem os processos produtores de sofrimento intactos e não questionados, na medida em que o isolamento e a individualização das questões produz a despolitização do incomodo e enfraquece os movimentos instituintes.

Nesse contexto ocorre a patologizaçao da diferença, as demandas e as insatisfações são individualizadas e submetidas ao mercado do consumo médico medicamentoso.

As pessoas atualmente estão preocupadas em estarem “normais” para a agitação da vida que muitas vezes se esquecem de cuidar de si e de seus sintomas optando por algo imediato para solucionar seus problemas, e existem inúmeros remédios que proporcionam essa “cura”, mas uma “cura” não preocupada com causas e sim com a eliminação do sintoma.  

Hoje as pessoas não se aceitam sentindo tristezas, depressões, stress, pois existem várias formas (fórmulas) para solucionar esses “problemas” de forma rápida. E acabam não tratando o que está por traz do sintoma, sendo que esse recurso rápido muitas vezes podem causar outros problemas maiores.

A medicalização parece estar acima de qualquer saber, pois o saber médico é o superior, e muitas vezes se agencia nos corpos como saber transcendente, ocorre assujeitamento a ele e produção de dependência.

Essa dinâmica evidencia um processo micropolítico que mantem as molaridades, uma luta política de forças fluxo de vida que se acoplam muitas vezes a instituições muito engessadas, às formas instituídas de lugar de poder e de especialismo medico. 

E esse lugar de especialismo médico  é produtor de discurso e de doença, produtor enquanto classificador de diferenças, homogeizante e intolerante à imanência de cada processo humano.

E nesse vídeo no Youtube podemos perceber como esse processo produtor de doença se constitui através de um lugar de especialismo portador de um discurso que deslegitima outros.

http://www.youtube.com/watch?v=U5NsCkSXBkc&feature=related

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