Post sobre a aula do dia 30/08/2010 “A medicalização da beleza”

O texto “A Medicalização da Beleza”, de Neto e Caponi, nos levou a discutir em sala não só a medicalização da beleza, mas também os conceitos de medicalização, a patologização como legitimadora de um discurso médico e a cultura somática.

A medicalização foi citada no texto como a incorporação de algo pela racionalidade biomédica que tem como objetivo a intervenção política no corpo social. Dentre suas práticas, existe a divulgação de “novas doenças” a fim de incitar a compra de medicamentos recém formulados. No que diz respeito à beleza há uma criação de um padrão normal desta. Aí que está o paradoxo, o que existe, ou seja, o que é ordinário como característica corporal humana é denominado imperfeito e a partir desta premissa inventa-se o que seria normal. Inventa-se como deveria ser o corpo natural humano.

Hoje, é necessário a patologização de uma condição de vida que gera sofrimento para haver legitimação da sua existência. Temos, como exemplo, a L.E.R./D.O.R.T que demorou ser reconhecida como doença. Havia uma desconfiança da reivindicação dos trabalhadores. Enquanto o saber médico não reconheceu a L.E.R. como patologia o trabalhador sofria com a desassistência.

Este mesmo movimento acontece também para a afirmação da intervenção cirúrgica plástica. O sofrimento psíquico tornou-se justificativa primeira para a prática desta modalidade médica. A intervenção por cirurgia plástica legitima-se enquanto um tratamento para alcançar uma beleza cujo sujeito não conseguiu alcançar naturalmente. Forja-se uma norma biológica da beleza.

Neto e Caponi citam um artigo de cirurgiões que diz: “(…) recomendações cirúrgicas pretendidas para alcançar glúteos o mais próximo possível do padrão de beleza (…)”.

 

Não queremos rechaçar a possibilidade de uma intervenção cirúrgica plástica, mas sim, discutir e analisar as justificativas da “biologização” do padrão de beleza inventado para além do natural que será entendido como “o natural” mas que, contraditoriamente, só será alcançado via cirurgia.

Chama a atenção a não discussão da origem deste sofrimento psicológico legitimador da prática. Ora, se o padrão de beleza é artificialmente adquirido  logo temos o sofrimento psíquico oriundo da não satisfação do desejo de encaixar-se neste padrão.

Devemos nos perguntar: qual o melhor método terapêutico para se tratar desse sofrimento? Tornar possível que o desejo seja saciado, ou discutir a validade desse desejo? Além disso, devemos questionar por que a não adequação neste padrão natural-artifical gera sofrimento e o que vem antes deste sofrimento ou seja a invenção do que é normal.

Se ao chegar ao consultório do cirurgião plástico for encontrado no sujeito pelo menos duas ou três “necessidades” de intervenção cirúrgica, como exigir que este sujeito se satisfaça com o corpo” imperfeito’ que precisa “dessa e daquela intervenção para ficar aceitável”? Classifica-se o que é normal ou não, isto é, cria-se um padrão de normalidade ao o que é humano para justificar, biologicamente, uma intervenção.

Em suma, debateu-se a necessidade de transformar a “diferença” em “anormalidade” e, consequentemente, “patologia” para que a intervenção plástica seja justificada.

O que pensam os personagens principais desta historia? Será que uma mulher que passa pela cirurgia plástica para colocar implantes de silicone realmente acredita que ela estava em “sofrimento psicológico” e precisa desta cirurgia “como um tratamento”? Ou foi apenas um “upgrade” no seu “look”?

 Uma questão que não foi mencionada em sala de aula mas que deve ser discutida é a associação direta deste assunto “beleza e intervenção cirúrgica plástica” às mulheres. Tanto no texto quanto em sala não se questionou por quê ao se discutir sobre este tema majoritariamente se dão exemplos femininos. Quer dizer, por que tal assunto parece remeter imprecindivelmente às mulheres?

O assunto em questão foi abordado no texto sem qualquer indicação de que falaría-se exclusivamente de exemplos relacionados às mulheres e, para reforçar esta percepção, em sala de aula nossos exemplos também se diziam em sua maioria femininos.

É possível notar que mesmo existindo uma cobrança em relação à aparência aos homens, nas mulheres esta cobrança ocorre com muito mais força tornando-as maiores vítimas da busca pelo corpo ideal.

Como diz Cynthia Semíramis em A imagem da mulher imposta pela mídia como uma violação dos direitos humanos:

 

“A pressão para que os corpos femininos atinjam esse ideal estético promove distúrbios alimentares, dificulta a inserção social e profissional e gera uma relação conflituosa com o próprio corpo, já que nega as características físicas femininas”

 

Esta autora propõe levarmos esta cobrança de um “corpo ideal” para a esfera dos direitos humanos já que há uma negação explícita das características femininas comuns. O que exige-se das mulheres é a modificação do seu corpo para se assemelharem a um único padrão de corpo que, como lembra esta autora, são os tipo físicos europeus desvalorizando a diversidade étnica. Além disso, existe a questão da magreza como sinônimo de beleza. Com um tom mais irônico e vulgar, a exigência é para que as mulheres se tornem Barbies!

Está instituído que a mulher deve ser bela antes de qualquer coisa. A forma como o corpo feminino é tratado por várias instâncias sociais conotam um certo assujeitamento da mulher. Esta não está sendo vista como sujeito de direito. A imposição da necessidade da mulher ser bela a qualquer custo impõe um reducionismo flagrante diante qualquer outra competência humana.

Mesmo informalmente, sabemos que existe uma grande insatisfação feminina quanto a sua imagem. E é por isso que a autora antes mencionada coloca tal questão em âmbito dos direitos humanos, pois há aí uma distorção das formas femininas e uma busca torturante para haver uma aceitação de si e adequação ao social.

Para ilustrar isso que acabamos de dizer sobre beleza e mulher, este vídeo:  http://www.youtube.com/watch?v=dG-dnvA5_UI&feature=related  

Sem a frase final de Agusto Cury fica melhor.

 

Fernanda Pontual, Janaina Coelho e Tamires Mascarenhas.

 

 

 

 

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4 Respostas para “Post sobre a aula do dia 30/08/2010 “A medicalização da beleza”

  1. Bianca e Bernardo

    Não estou conseguindo postar o nosso texto e o vídeo.
    Como podemos fazer?

  2. Marcia Lourenço

    analisando o que foi proposto e de acordo com a leitura da aula 2, pude observar que a medicalização é um problema que reflete na aprendizagem com consequencias graves que explodem dentro da escola . Os profissionais devem estar preparados para buscaren soluções imediatas e seguras . pois ainda se corre o risco de sermos culpados por ação inadequadra

  3. gente, o primeiro video eu mandei errado.. era um outro sobre o idal de saúde, também discutido em sala – como temos que ser intangivelmente saudaveis- mas nao achei aqui! Depois acho e mando denovo!
    um beijo!!

  4. Outros dois videos interessantes para a discussão feita no post:
    1) http://www.youtube.com/watch?v=iYhCn0jf46U

    2)http://www.youtube.com/watch?v=LirJ4EIdNqs&feature=rec-LGOUT-real_rn-4r-2-HM

    com carinho,

    Fernanda Pontual

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