“A medicação como única resposta: uma miragem do contemporâneo”. (Discussão acerca da aula de Psicologia Diferencial do dia 23/08/2010)

O texto abordado em sala de aula nos remeteu a temas debatidos em filmes de grande público, a respeito da relação entre o sujeito e intervenções medicamentosas em contexto de tratamento de transtornos psiquiátricos.

De acordo com a leitura e discussão do texto proposto, entendemos a visão do autor como sendo desnecessariamente moralista, alem de estar embasada, entre outras, numa ideologia ‘Nietzscheana’ – onde esse sugere a “morte”de Deus -, a fim de justificar uma necessidade de demanda da psiquiatria a fim de sustentar uma posição capitalista da sociedade.

Seria interessante se o autor estivesse mais voltado para soluções de problemas que não desse margem a outros problemas. Por exemplo; do que adianta você medicamentar um transtorno de esquizofrenia com remédios absurdamente “fortes”, ao organismo do sujeito, sendo que, na ausência deste, a crise de esquizofrenia tentde a ser num grau mais intenso. Além de tornar aquele sujeito um dependente do medicamento.

Se ao invés de defender uma tecnologização farmacêutica e uma postura de que a sociedade deve construir sujeitos consumidores, Bauman tivesse pensado a psiquiatria como uma terapia que, como possível recurso, em caso estritamente necessários, fosse capaz de utilizar medicamentos para o tratamento de distúrbios, os quais a terapia não foi suficiente, ele teria demonstrado mais francamente um ideal de tratamento dos doentes, e não uma manutenção das doenças.

Para ilustrar o exemplo, gostaríamos de conduzi-los em um passeio ao filme “Patch Adams – O amor é contagioso”. Esse filme se passa – ao menos, grande parte dele – dentro de um hospital psiquiátrico, onde um estudante da área da saúde (biomédicas – não lembro o curso exatamente) faz uma revolução na forma de tratar dos doentes daquele recinto, mostrando que, mais do que os remédios, os profissionais responsáveis fazem influência na maioria dos tratamentos psiquiátricos. Pode ser muita ideologia da nossa parte chegar a essa afirmação, mas, não vejo uma forma mais humana, ou ética, de se tratar outras pessoas, da qual foi representada nessa obra.

Diferentemente do que propõe Nietzsche, com a “morte” de Deus na sociedade atual, e com ele Bauman, de acordo com a nossa percepção, a sociedade se mostra cada vez mais arraigada a um discurso religioso. Seja graças à crescente violência na sociedade, ou pela globalização aumentando a onda de desemprego e, demais relações de causas – conseqüências destas. Se fosse conforme Nietzsche propõe, acreditamos que não veríamos o surgimento, e desenvolvimento, de tantas “fés”, seja com a abertura de tantos templos religiosos esquinas à fora, seja pela presença de famílias que até hoje conseguem manter seus jovens virgens até o casamento (adesão à castidade). São elementos que nos remete a vermos que Bauman parece, novamente, fechar os olhos para a sociedade da qual ele mesmo medicamentaliza.

PS.1: Não conseguimos disponibilizar o filme “Patch Adams – O amor é contagioso”, portanto, gostaríamos que, as pessoas que puderem, se façam a par do mesmo, ou que tenhamos um tempo para passarmos partes específicas dele em sala.

PS.2: Um outro filme que aborda o tema e propõem uma abordagem semelhante ao outro filme é “Um Estranho no Ninho”. Esse, fica como sugestão da dupla para as pessoas que se interessarem.

Por Juninho Piva e Tiago Gomes.


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2 Respostas para ““A medicação como única resposta: uma miragem do contemporâneo”. (Discussão acerca da aula de Psicologia Diferencial do dia 23/08/2010)

  1. Luciana Caliman

    Meninos… Bauman, Nietzsche, medicalização, Deus, texto da aula… muitas entidades juntas! Acho que o argumento ficou um pouco confuso. O que vcs querem dizer? Que Bauman “defende” a sociedade de consumo e com ela a prática de uso de medicamentos e da própria saúde? Penso que a posição do autor não seja essa. Dizer que hoje estes processos constituem nossa vida e nos atravessa não é o mesmo que afirmá-los ou defendê-los. Pelo contrário, podemos ver aí uma problematização dos modos de vida contemporâneos.
    A “morte de Deus”em Nietzche é a mesma coisa que a morte da religião e da fé? Também não acho que seja este o caso.. não estaríamos falando de coisas distintas? Uma boa referência aqui seria a distinção que James faz entre crença, fé, sentimento religioso, religião… enfim, vamos com calma pessoal, precisamos de análises mais refinadas!
    .

  2. Camila S Eccard

    A medicalização , diz respeito ao processo pelo qual os indivíduos são levados a se submeter à normalização médica, de uma forma tal que qualquer aspecto de suas vidas se torna passível de ser regulado pelo discurso médico, com destaque, para a educação.A medicalização da vida escolar nos faz indagar a relação de doença e não aprender.

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