Conversas e controversias: uma análise da constutuição do TDAH no cenário científico e educacional brasileiro

Convidada da aula de terça feira, 06 de outrubro de 2009: Clarice Sá Carvalho

Busca- se nesse trabalho analisar como vem se dando as formas de entender o TDAH, tudo isso procurando compreender os contextos sociais e cientifico da atualidade.

Nos últimos tempos, no Brasil, ocorreu uma expansão social do diagnóstico de TDAH, tal fato legitimou, principalmente no campo da educação, o TDAH como sendo uma das causas para o comportamento inapropriado de alguns alunos. Neste contexto é interessante analisar as práticas dos educadores em relação aos problemas de comportamentos dos alunos. As queixas dos professores e o encaminhamento de alunos, com possível TDAH, para psiquiatras podem mascarar uma escola que não repensa suas práticas.

De acordo com o site Wikipédia “Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico,inicialmente relacionado a uma lesão cerebral mínima. Nos anos 1960, devido à dificuldade de comprovação da lesão, sua definição adquiriu uma perspectiva mais funcional, caracterizando-se como uma síndrome de conduta, tendo como sintoma primordial a atividade motora excessiva e o déficit de atenção, já aparece na primeira infância, quase sempre acompanhando o indivíduo por toda a sua vida”. O aumento do número de casos diagnosticados e o tratamento medicamentoso tem o parecer científico – mesmo que ainda não seja universal, devido às diversas opiniões e estudos sobre o assunto – e, por isso, talvez tenha tanta credibilidade social. Isso pode estar conectado a uma cultura bem presente em nossa sociedade cujas falas absolutas dos saberes científicos, muitas vezes, não são questionáveis. 

O diagnóstico se dá pela via clínica sendo na maioria das vezes dado pelo psiquiatra, que geralmente receita tratamento com remédios tais como a Ritalina e Concerta. Ele ocorre por via clinica, pois não há nenhum exame ou teste que se possa comprovar o TDAH.

Um dos sintomas do TDAH é a desatenção e, uma questão muito discutida foi o conceito de atenção. O mundo contemporâneo busca uma atenção focalizada e, por isso, as queixas de que as crianças não prestam atenção, não aprendem. Dessa forma, prefere-se uma discussão limitada a um transtorno a ter que analisar toda a uma situação sócio-histórica e também, ao mesmo tempo, atual que perpassa na vida. A atenção fala como as pessoas se envolvem com o mundo e das coisas que dão prazer. E, por isso, é muito difícil generalizar as situações, já que aquilo que dá prazer, geralmente, não é aquilo que a sociedade espera. Por exemplo, uma criança na aula que se atenta com outras questões que não seja a aula. Dificilmente, será discutido o prazer ou desprazer sentido por ele pela aula, culpabilizando a suposta desatenção da criança. O que se espera, principalmente das crianças, é a interiorização das regras externas e quando isso não acontece, há algum problema em questão. 

“A escola é também o lugar no qual os sintomas do TDAH se tornam mais explícitos. A criança deve obedecer às normas compartilhadas por outras crianças e sua atenção é requerida de maneira mais sistemática e por períodos mais longos… Se a hiperatividade, a desatenção e a impulsividade são comportamentos comuns, apresentados por todas as crianças, é o seu excesso que se torna patológico. Portanto, o nível de tolerância social para determinados comportamentos em uma instituição normativa, como a escola, participa nos deslocamentos e redefinições das fronteiras entre o que é normal e o que é patológico.” (Carvalho)

No Brasil existe a associação brasileira do déficit de atenção (ABDA) que conta com membros tais como: médicos psiquiatras, familiares de portadores e também portadores de TDAH. Essa associação é patrocinada pelas empresas farmacêuticas Novartis, responsável pela produção da Ritalina, e Janssen-Cilag, que produz o Concerta. O site disponibiliza muitas informações sobre o transtorno de forma acessível. Apresenta muitas histórias em forma de depoimento, defendendo o caráter científico e biológico do TDAH.

Apesar de ter muitas informações sobre o TDAH, mesmo sendo diferentes, é importante ler de forma muito crítica e analisar tudo que é recebido sobre isso. Dentre elas, há mitos, equívocos…, e, por isso, devem ser tomados alguns cuidados. Vale essa dica!

http://www.tdah.org.br/ link ABDA

http://www.youtube.com/watch?v=8ETE5i3OhKg vídeo sobre TDAH doutor Paulo Mattos

http://pt.wikipedia.org/wiki/Transtorno_do_d%C3%A9ficit_de_aten%C3%A7%C3%A3o_com_hiperatividade Wikipedia

POR Fabiane Cruz Gama Aires e Rafaela Gomes Amorim

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5 Respostas para “Conversas e controversias: uma análise da constutuição do TDAH no cenário científico e educacional brasileiro

  1. Acho de imenso valor o acento que Sérgio faz da questão do tempo no contemporâneo. Em nome de que corpotamentos da “dita não-atenção” ou da “hipertatividade” são patologizados? Diria que em nome da produtividade, do nosso velho e triste “time is money”. Nada de invenção, pois esta depende em certa medida da dispersão. Assim, mais uma vez somos levados a pensar o domínio do nosso tempo no contemporâneo pela modulação contínua… temos a todo tempo que estar buscando ser mais competitivos, mais funcionais, mais vendáveis… que hora melhor para começar isso do que na infância.

    Outra coisa a se pensar é que há uma tendência de normatizar, mas essa categoria TDAH como Luciana disse é um campo aberto onde lutas estão sendo travadas… muito se diz, mas pouco se afirma, porém práticas terapêuticas estagnantes são atualizadas.

    Bjos a todos…
    de um amigo com atenção dispersa..
    haeuahueha

  2. Sérgio Werner Baumel

    Postei uma refexão em meu blog, que tangencia (de modo bem marginal…) nossas discussões.
    Dêem uma olhada: http://baumel.wordpress.com/2009/10/11/o-rio-da-vida/

  3. Acho importante, mesmo que estejamos momentaneamente nos afastando do eixo central de nossa disciplina, pensarmos no papel da escola, da educação, dos educadores, na questão TDAH. Aí também cabe pensar o papel dos pais, da “velocidade” e do “abarrotamento” do tempo contemporâneo, que não mais permite (??) aos pais e professores simplesmente prestar atenção (!!!!!!!) às crianças, aos seus desejos, seus anseios, seus talentos, seus mundos… E como os mundos das crianças são imensamente mais livres, mais polimorfos e menos limitados por “tenho que”s, nós, “adultos” e “maduros”, tendemos à simplificação empobrecedora do rótulo, da medicação, da normatização!
    Proponho, em ressonância com Hermógenes, a prática e política da desilusão, da infantilização, enfim da libertação de nossas almas do jugo do “dever”, do “correto”, do “normal”! Deixemos de ser robôs, assumamols nossa extra-terrestrialidade!!!
    ;o)
    Bjs enlouquecidos (e por que não?),
    Sérgio

  4. Luciana Caliman

    Bom meninas, acho importante pensar com a Clarice, inspirados pelo Latour, que apesar da expansão do TDAH e de suas terapêuticas não podemos ainda falar de um processo de legitimação finalizado. O “fato TDAH” ainda não é tão fato ainda. uma caixa preta que ainda não se fechou. Muitas são as controvérsias em torno do Transtorno, seu debate está ainda em aberto e não se pretende finalizado. Nele, incluímos os questionamentos, as desconfianças, as implicações éticas e sociais que têm sido debatidas por diversos profissionais e atores sociais, mas também o discurso científico sobre suas causas, sua etiologia, sua terapêutica… é esse aspecto que queremos contrapor a um discurso pretensamente científico que cria a “Ilusão de Harmonia” comentada por Allan Young em seu trabalho sobre TEPT…

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